№ 001 · Cais do Avesso
Guardião do Pantanal
Doze faixas quase documentais sobre o Pantanal — alvorada, tempestade, capivara, onça, bandos, jacaré, monos, ninho, cervo, crepúsculo, brasa, noite. Cada faixa segue um único sujeito da paisagem. Indie blues brasileiro com canto observacional, contido, sem moral. A escuta vem antes da explicação.
Faixa a faixa
Cada faixa tem página própria com a letra completa. O álbum atravessa a paisagem do Pantanal sem narrar — apenas observa, escuta, registra.
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Alvorada
A manhã abre o álbum com corixo, barro, neblina e atenção baixa.
Tempestade
Uma frente de chuva transforma abrigo, peso e deslocamento em pulso de canção.
Capivara
Remanso, argila e quase-nada moldam uma faixa de observação mínima e densa.
Onça
Tensão baixa, sombra e escuta extrema do corpo diante de uma presença animal.
Bandos
O céu como movimento — corixos, formação e o som coletivo das aves.
Encontro (com o jacaré)
Beira d'água, escuta longa, presença que não pisca.
Monos
Copa, fruta e o vocabulário curto dos macacos no campo.
Ninho
Galho, palha, fôlego curto — a economia mínima de quem cria ali.
Cervo
Pasto raso, cauda branca, o ritmo cuidadoso de quem se afasta.
Crepúsculo
A hora vermelha, a água escura, o campo se calando.
Brasa
Fogo baixo, lenha gasta, o calor que ainda guarda alguma coisa.
Noite
Encerramento — o álbum desliga as luzes do campo sem despedida.