Alvorada — Manhã, Guardião do Pantanal

Faixa 01 · Guardião do Pantanal · Manhã

Alvorada

A faixa que abre Guardião do Pantanal. A manhã chega ao corixo — barro frio na sola, neblina baixa sobre o junco, uma garça que cruza cedo. O rádio chia no bolso e ninguém responde. Observação lenta antes que a luz mude tudo.

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Cais do Avesso · Guardião do Pantanal · Faixa 01

Alvorada

Tema: Manhã

Luz rala
sobe do corixo.

Barro frio – prende a sola.

Rádio chia
dentro do bolso
como se testasse distância.

Ninguém responde.

Névoa baixa
passa no junco.

Haste
toca a água escura.

Sonda na beira rasa
metal – o pulso acorda
sem fazer ruído.

Garça pequena
cruza cedo
risca prata contra o lodo.

Caderno entre os joelhos
a página bebe o orvalho
e cede devagar.

Um peixe vira o ventre um segundo
depois só o círculo
se abre.

Cheiro de folha rompida
sobre a ferrugem
não vai embora.

Longe um motor perde força
some atrás da neblina.

Marco a linha do corixo
antes que a luz mude tudo
de novo.

O sol enfim toca a lona
seca um vinco do tecido.

O campo clareia sem alarde.

O dia abre os olhos
sem nome
sem pressa.