№ 002 · Cais do Avesso
Doze Tempos
Doze faixas atravessam toda a vida de um casal — do primeiro encontro de ônibus aos 19 anos até uma manhã qualquer aos 74. Indie blues tango brasileiro, com guitarra elétrica de timbre limpo, percussão afro-brasileira leve e vozes graves contidas. O amor permanece, em pequenos gestos, nas idades que se sucedem.
Faixa a faixa
Cada faixa tem página própria com a letra completa. As idades não são marcadas dentro das letras — são parte da estrutura do álbum, da juventude à velhice.
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02
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O trânsito
Uma esquina, um homem qualquer, uma memória que fica.
Uma carta que não mandei
Uma linha sobre ela no meio de uma carta para o irmão.
A mesa de domingo
Almoço de família, sete copos, uma cadeira vazia.
O que disse ao meu pai
O pai doente ouve, três segundos, e sabe.
O cabelo curto
Ela cortou o cabelo, ele não diz, ela não diz que ele não disse.
O que não contei
Três dias entre o teste e o sangue, guardados.
A vizinha
Oito minutos com Ana, e em casa ninguém pergunta.
O aniversário
Bolo, fita azul, a mãe morta na memória, um gesto que retorna.
Quando ele cozinha
Depois de vinte e cinco anos, uma canção dele que ela nunca ouviu.
A cozinha às três da manhã
Duas vozes na mesma cozinha, nunca em sincronia.
A filha liga
Uma mentira pequena para a filha, e o telefone que não toca de novo.
Uma manhã qualquer
Café para dois, ele esquece o nome, ela diz, ele ri.