Uma manhã qualquer
Perspectiva: Ela, 74 anos
Acordo. Ele ainda dorme. Levanto devagar. O chão está frio. Ponho os chinelos. Vou até a cozinha. Faço café para dois. Ele chega na cozinha de pijama. Pergunta se vai chover. Já perguntou ontem. E anteontem. Respondo de novo. Talvez. Ele sorri. Pega a xícara. Senta na mesma cadeira que senta há quarenta anos. Alguém passa de bicicleta. Ele diz que quando era menino também andava de bicicleta. Já me contou cem vezes. Escuto como se fosse a primeira. Ele termina o café. Me olha. Pergunta meu nome. Digo. Ele ri. Claro que sabia. Só queria me ouvir dizer. Bebo meu café.