O que não contei
Perspectiva: Ela, 33 anos
Dois riscos. Guardo o teste na gaveta debaixo das meias. Penso em contar à noite. Ele chega em casa cansado. Conta de um cliente difícil. Faço o jantar. Ouço ele falar. Olho para a boca dele enquanto ele fala. Não conto hoje. Vou contar amanhã. Três dias depois acordo com sangue. Vou ao banheiro. Fico lá. Volto para a cama. Ele dorme. Ponho a mão nas costas dele. Ele respira fundo. Não acorda. De manhã jogo o teste fora. Embrulho em papel. Guardo o que não aconteceu dentro de mim como uma coisa que foi minha por três dias.