Alvorada
Brazilian Portuguese originals
Luz rala sobe do corixo. Barro frio – prende a sola. Rádio chia dentro do bolso como se testasse distância. Ninguém responde. Névoa baixa passa no junco. Haste toca a água escura. Sonda na beira rasa metal – o pulso acorda sem fazer ruído. Garça pequena cruza cedo risca prata contra o lodo. Caderno entre os joelhos a página bebe o orvalho e cede devagar. Um peixe vira o ventre um segundo depois só o círculo se abre. Cheiro de folha rompida sobre a ferrugem não vai embora. Longe um motor perde força some atrás da neblina. Marco a linha do corixo antes que a luz mude tudo de novo. O sol enfim toca a lona seca um vinco do tecido. O campo clareia sem alarde. O dia abre os olhos sem nome sem pressa.