Bilhete Sem Rasgo
Português brasileiro
A bilheteria abre com o vidro embaçado o homem da entrada esfrega os dedos frios a primeira balsa balança presa Ela estende o bilhete com a mão fria o carimbo azul falha na data ele pega o papel sem levantar os olhos Ela dá três passos sobre a madeira molhada para antes da rampa muda a bolsa de lado a prancha range sob os pés dos outros O bilhete fica inteiro entre dois dedos sem rasgo sem dobra nova ela vira o rosto para a rua de trás A buzina da balsa sai curta e rouca o marinheiro chama sem repetir o nome ela já está na esquina o bilhete já não é dela No fim do turno ele encontra o bilhete inteiro no bolso com a ponta seca a balsa se afasta presa no reflexo