Cais do Avesso · Guardião do Pantanal · Portuguese original
Noite
Brazilian Portuguese originals
Desligo o rádio. O escuro toma o vão inteiro. A rede cede no primeiro peso depois se acerta. Um mosquito passa rente à orelha como um fio solto no ar. Não me afasto. Não viro o rosto. Estrelas aparecem entre duas ripas do teto. Uma. Mais outra. Sem pressa de formar desenho. Longe a água perde a forma vira só presença. O pano esfria devagar contra a pele cansada. Nenhum bicho chama. Nenhuma luz insiste. O rancho respira por conta própria como madeira velha no escuro. Fico ouvindo o que não vem até o ouvido largar o esforço. O silêncio não fecha nada. O silêncio não pede nada.
Cais do Avesso · Guardião do Pantanal · Translation
Srpski translation
Translation · Noite
Isključujem radio. Mrak uzima ceo otvor. Viseća mreža popušta pod prvom težinom zatim se namešta. Komarac prođe tik uz uho kao labava nit u vazduhu. Ne odmičem se. Ne okrećem lice. Zvezde se pojavljuju između dve letve krova. Jedna. Još jedna. Bez žurbe da naprave crtež. Daleko voda gubi oblik postaje samo prisustvo. Platno se polako hladi uz umornu kožu. Nijedna životinja ne zove. Nijedno svetlo ne insistira. Koliba diše sama od sebe kao staro drvo u mraku. Slušam ono što ne dolazi dok uho ne pusti napor. Tišina ništa ne zatvara. Tišina ništa ne traži.